A cena drag em Fortaleza: o que é ser uma queen pós-RuPaul’s Drag Race

Em 2009, o mundo viu nascer o surgimento de mais um reality show com ares de show de talentos na mídia. No entanto, o programa se destacava por ser especialmente voltado para a arte drag. Apresentado por RuPaul, uma das drag queens mais bem sucedidas e famosas da história, o RuPaul’s Drag Race mistura moda, canto, atuação e comédia em desafios diversificados onde um determinado número de drag queens ainda desconhecidas competem por um prêmio em dinheiro, contratos com produtoras e viagens em vários países. Atualmente, o reality show já é um dos mais consolidados do mundo, com diversos fãs e um enorme impacto na cultura pop.

01

Porém, a maior influência que o programa certamente causou (e ainda causa) é na cena drag e nas pessoas que vivem disso em diversos outros lugares. O show comandado por RuPaul trouxe à tona esta forma de performance que não era tão familiar para os jovens nascidos à partir dos anos 90. É fato que a arte drag já existe há dezenas de anos, mas o programa desmistificou a ideia pejorativa que existia sobre estas performers, validando o “drag queen” como uma forma de arte onde é possível exercer um trabalho. Em Fortaleza não é diferente.

Depois do boom do programa, diversos jovens da cidade alencarina adotaram o drag como um hobby, tirando suas roupas mais fabulosas do armário (ou pedindo emprestadas) e passaram a sair nas ruas inteiramente montados, com maquiagem completa, perucas e saltos. Passados sete anos após a estreia do show, existe hoje em Fortaleza uma efervescente cena drag, que lota boates onde meninos e meninas exercem a função de “ser drag queen”.

Mas, afinal, o que é ser drag queen? A definição mais comum, que seria um homem travestido de mulher, se torna rasa quando a evolução da arte é posta em pauta. As drag queens existem desde a época de Shakespeare, quando mulheres eram proibidas de atuarem em peças, e por isso, homens assumiam papeis femininos nos palcos. Contudo, a prática evoluiu ao longo de vários séculos, se aperfeiçoando cada vez mais e ganhando novas dimensões. Hoje em dia, tanto homens quanto mulheres fazem uso da arte drag, que é muito mais vista como uma forma de expressão performática.

Para Stella Candy, drag persona de Cláudio Abreu, “a drag entende que existem signos masculinos, signos femininos e signos não se encaixam em nenhum dos dois, e ela começa a brincar com isso e misturar tudo. A drag passa a fazer sua arte à partir disso: ela vai performar, ou modelar, ou só sair de casa ou nem sair de casa”. Stella nasceu oficialmente há quase um ano, quando Cláudio resolveu fazer um teste para o Cabaré das Travestidas. “A Stella já existia há mais tempo, de forma informal, mas quando eu tive que pensar em uma apresentação e um nome, ela surgiu de forma oficial”, ele conta.

apresentacao-enecom

Apesar de ainda ser recente, a vontade de se montar é um pouco mais antiga. Claudio relata que a lembrança mais antiga que tem de ver uma drag queen é de Raimundinha, comediante muito conhecida em Fortaleza. No entanto, foi apenas após o programa que o interesse pelo universo drag foi despertado. Depois de se montar para uma sessão de fotos, à pedidos de uma amiga, Cláudio gostou da experiência e passou a fazer isso de forma regular.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Sobre a cena drag de Fortaleza, Cláudio é bastante crítico sobre a falta de diversidade que ainda existe. Ele pontua que ainda falta na cidade a perspectiva de que drags não precisam ser, necessariamente, homens se transformando em mulheres. Cláudio salienta que existem duas fases muito claras da cena drag de Fortaleza: uma da época da Divine, boate que existia no centro voltada para apresentações de drag queens e uma pós-Rupaul’s Drag Race. Pare ele, apesar do show ter dado um pontapé muito grande, o programa ainda possuem problemas que se refletem na cena atual. “Mas estamos numa eferverscência muito grande e temos tudo pra começar a ter drags que saiam do padrão e sejam mais livres, valorizando a arte drag e expandindo os horizontes aqui”, ele conta.

Para Charlotte Killz, drag e DJ de Fortaleza, o programa “ajudou muito a arte a ser mais reconhecida e valorizada. Através da internet mais pessoas conseguiram conhecer e ter algum contato com drags”. Para ela, o reality show foi importante  para ajudar a criar interesse em algumas pessoas pela arte.

14658219_700733803410196_1984741894_n

Charlotte é a drag persona de Neto Fabrinni, e ele conta que seu primeiro contato com a arte foi através da internet. A vontade de se montar surgiu após conversas com amigas de Cuiabá que também se montavam. Segundo Neto, os estilos delas se diferenciavam do que é comumente visto em boates. Ele passou a acompanhar os trabalhos delas através das redes sociais e viu sua vontade de experimentar o drag aumentando cada vez mais.

Neto relata que seus planos de sair montado sempre eram adiados, às vezes por medo da reação da família, mas, após ganhar uma promoção para fazer um dj set em uma boate da cidade, ele achou que seria uma ótima oportunidade para finalmente se montar. “Eu nunca tinha me sentido tão livre. Parecia que eu era uma folha em branco, as pessoas não me conheciam, e eu podia ser ou fazer qualquer coisa”, ele conta. Depois dessa noite, Neto recebeu vários elogios e convites para participar de outras festas, e foi assim que ele passou a investir em Charlotte Killz.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Atualmente, Charlotte viaja por diversas cidades, trabalhando como DJ em boates e possui até sua própria festa em Fortaleza. Para o futuro, ela quer se aperfeiçoar cada vez mais e viver fazendo o que gosta, pretende fazer cursos, virar produtora musical e espera que as pessoas continuem se identificando com o seu trabalho. “São muitos planos e sonhos, mas aos poucos e com esforço a gente consegue realizar cada um”, ela conclui.

 

A Tecnologia do Deslocamento

Você sabe o que é geolocalização? Em uma definição rápida e sucinta, é a localização geográfica de um ponto no mundo. No entanto, este conceito aliado às mudanças tecnológicas têm transformado a relação das pessoas com seus dispositivos móveis. A tecnologia da geolocalização implantada em smartphones e computadores permite que estes se localizem geograficamente à partir de inteligência artificial e comuniquem aos seus donos dados e informações sobre o local e os arredores em que se encontram.

Em um serviço de GPS pelo celular, esta tecnologia pode informar uma rota melhor para quem está dirigindo. Nas redes sociais, a geolocalização mostra publicações de outras pessoas próximas a você ou até publicidade relacionada ao local onde você se encontra. A inovação vêm sendo implantada nos mais diversos tipos de aplicativos, nos para compras aos de relacionamento. Apesar das controvérsias que causa, principalmente as voltadas à questão da privacidade, o fato é que a geolocalização veio para mudar o modo como os dispositivos móveis e outras tecnologias são usadas.

E como a geolocalização pode ser aplicada no jornalismo? Parece um pouco difícil de pensar a atuação do repórter nesse contexto, mas a verdade é que a tecnologia já está sendo usada no fazer jornalístico e pode até mudar a forma de como uma notícia é apurada. Existem vários jornalistas que já usam o serviço em aplicativos, como o Twitter, para restringir informações sobre algum local específico. Há ainda outros com funções mais particulares, como o Localmind, onde você faz perguntas sobre algum local e recebe respostas de alguém que está lá em tempo real.

A geolocalização promete continuar mudando a forma como nos comunicamos com outras pessoas e instituições, além de trazer cada vez mais novidades para o modo como trabalhamos e interagimos em nossos ambientes de trabalho, seja ele o jornalismo ou qualquer outro. Pensando nisso, o mapa abaixo foi feito para que você possa acessar informações e fotos sobre determinados pontos que marquei, além de rotas com dados como distância, tempo de deslocamento e coordenadas para se mover de um ponto a outro.

O Poder das Pessoas (na Internet)

bcac3545a16fd040903ddfd575532b3c01082016032137

Desde que foi criada, a Internet vêm transformando gerações. A tecnologia, concebida em início para objetivos militares e depois trazida para a vida comum do cidadão, revolucionou o comportamento do ser humano e o modo como ele se relaciona com os outros e com o mundo em que vive. De todos os âmbitos em que poderia (e conseguiu) causar impacto, nenhum foi tão afetado como o da comunicação.

No documentário A Verdadeira História da Internet, transmitido pelo Discovery Channel, o narrador diz na quarta parte – intitulada de “O Poder das Pessoas” – que o que as pessoas mais querem não é amor, nem poder, mas sim a possibilidade da comunicação. Ao longo do vídeo concordei e discordei dele diversas vezes, mas uma coisa é fato: a internet oferece uma liberdade de comunicação nunca antes vista na história da humanidade.

Para ilustrar isto, o documentário apresenta diversos exemplos de sites e softwares que surgiram na última década e transformaram o modo como informações são compartilhadas, como o Digg, YouTube, Napster, Facebook e Wikipedia. O primeiro é um site que reúne diversas notícias vindas do mundo inteiro e, de acordo com o interesse dos usuários, as mais acessadas ganham destaque na primeira página. A regrinha jornalística da “informação de interesse público” é concretizada no Digg, longe dos grandes veículos midiáticos e dos jornalistas formados e profissionais.

Digg_logo-2

O Napster foi um software de compartilhamento de música grátis que mudou para sempre o modo como consumimos música. Apesar de ter sido derrubado após uma luta judicial, o programa produziu efeitos que perduram até hoje na indústria fonográfica – as vendas de CDs caíram consideravelmente e os artistas, produtores e empresários foram forçados a pensar em novas formas de vender e divulgar seus trabalhos. Hoje quase tudo acontece online.

536775036_1280x720

Junto aos outros exemplos citados anteriormente, o Napster e o Digg mostram como a internet permite um certo nível de democratização da mídia. É um compartilhamento enorme de informações, feito por pessoas comuns e sem nenhuma regulamentação. Fica claro aqui que, além da indústria fonográfica, o modo de se fazer jornalismo também teve que mudar. As vendas de jornais despencaram nos últimos anos e o telejornalismo, apesar de ainda estável, perdeu um pouco da força. Enquanto isso, os números de blogs e sites de notícias informais crescem a cada ano, enquanto redes sociais como o Facebook e o Twitter servem como meios muito utilizados para o acesso de informações.

E por quê discordo (em partes) com o narrador do documentário? Não acho que o maior desejo das pessoas seja a comunicação. Acredito que esta é apenas um canal que dá acesso fácil ao verdadeiro desejo do ser humano: o poder. A comunicação oferece poder às pessoas, ela manipula, pauta, liberta e modifica culturas, pensamentos e ideias. E com o advento da internet, a comunicação (e o poder) têm estado à disposição de milhares de pessoas, a toda hora e em qualquer lugar.

Aos interessados no documentário, segue o vídeo abaixo: